Monday, August 08, 2005

A Crise da Sociedade Política: O Fenómeno da Abstenção

"... A Recusa do Político desliza, progressivamente, para as sociedades ditas modernas".
(Georges Balandier)

Não é necessário fazer um vasto e rigoroso trabalho de campo para compreender esse fenómeno, porque basta, somente, conhecer a própria dinâmica da política actual que se traduz nas proporções dos potenciais eleitores que não exercem o seu direito de cidadania. Eis a questão...
Vivemos numa sociedade onde o desinteresse pelo político é evidente, muito por causa das demais vicissitudes e circunstancialismos que caracterizam o fenómeno político historicamente. Várias são as teorias políticas que, secularmente, acompanham as tendências ideológicas existentes no seio da sociedade política. É notório que essa tendência de recusa do político traduziu-se, historicamente, no fenómeno da abstenção.
Ao longo da evolução do processo histórico-político, tem-se tornado notório um progressivo afastamento das sociedades em relação ao fenómeno político; onde nota-se claramente, no decurso do processo eleitoral o apelo permanente dos líderes políticos ao voto, traduzindo-se num sistema onde o principal "adversário político" não é, necessariamente a outra força partidária, mas sim a abstenção. Será que esse fenómeno não virá a colocar em causa a própria legitimidade e consistência dos órgãos potencialmente eleitos?
Numa perspectiva de análise antropológica, o verdadeiro motivo da abstenção enquanto fenómeno político, não é o declínio da cidadania nem a falta de cultura política dos potenciais eleitores, mas trata-se de que a política enveredou-se pelas grandes temáticas da actualidade que é uma forma de esconder a verdadeira realidade. Os políticos estão a afastar-se cada vez mais da vida quotidiana.
A política inclui dramatologia, símbolos e rituais dando ao poder a dimensão simbólica "espectacular" que possui actualmente. Todos os símbolos e rituais pela qual a actividade política se manifesta tendem à legitimação do mesmo. A actividade política tem sido dominada, ao longo do tempo por essa dimensão simbólica- o poder está em cena- ou seja, está sempre presente e emerge por tudo quanto é lado. É de se verificar que na modernidade política, o espaço televisivo tem uma grande importância na legitimação da dimensão simbólica do poder e da representação da esfera política. Na política não existe poder, mas sim poderes que se manifestam conforme as instâncias que os suportam. É por isso que se fala actualmente, na dimensão simbólica da actividade política, dos símbolos e rituais na prática política, quer nas sociedades tradicionais como também no mundo contemporâneo.
A Política é um jogo de simulacro inserido dentro de um quadro competitivo. É por causa dessa forma teatralizada como a dimensão simbólica da actividade política se caracterizou historicamente é que suscita o desinteresse no seio da sociedade política. Traduzido pela linguagem corrente, a política é um jogo de mascaras. Mascaras essas que se adequam aos diferentes momentos que caracterizam o fenómeno político, conforme a dimensão simbólica em causa. Não será essa mudança constante de mascaras protagonizada pelos políticos, o resultado de uma série de ambivalências caracterizadoras da sociedade política actual?
A nosso ver existem dois paradigmas explicativos do significado político da participação eleitoral; o primeiro paradigma explica a abstenção como reflexo de satisfação com o sistema político até aí então vigente. O outro paradigma explicativo das vicissitudes que caracterizam o fenómeno político, é a crença de que as eleições não vão trazer alterações significativas no funcionamento da ordem político-social vigente. Pessoas que não vêem a consequência directa do seu voto e o impacto do mesmo no seio do sistema político, e outros onde o voto tem uma função meramente simbólica.
Não se deve confundir o elevado índice de abstenção com elevado grau de satisfação, porque este poder ser o reflexo de um maior nível de conflitualidade na comunidade política.
Sob o ponto de vista sociológico, ressalto a importância do exercício do direito de cidadania. Para qualquer que seja o órgão a ser eleito, é necessário fazer do voto uma “arma”.

Suzano Ferreira Costa
Estudante de Ciência Política e Relações Internacionais (UNL)
Email:
suzanocosta@yahoo.com.br/ slim_74@hotmail.com
Fonte: Artigo Publicado no Jornal A Semana.

6 Comments:

At 10:33 AM, Blogger Suzano Costa said...

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At 6:58 AM, Blogger Makel said...

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At 2:13 PM, Blogger ninita said...

Quanto abstenção, concordo que seja mau, pois o país não demonstrou( ou será que o fez) o que queria, enfim os politicos adoram usar do drama e do espectáculo para enganar o povo, usam expressões que enganam( nem sempre só na maioria das vezes) o povo depois quem sofre é o povo. Toma lá... por acaso gostei do artigo tá fixe.

 
At 8:38 AM, Blogger jad said...

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At 4:07 AM, Blogger jad said...

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At 8:26 AM, Anonymous Suzano Costa said...

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